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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

15 anos sem seu Paulo



Seu Paulo Celso, o Pantera, faleceu no dia 11/08/1996, dia dos pais. Já são 15 anos sem ver aquela figura, sem ouvir aquele vozeirão...

Seus passatempos preferidos (além da bebida e do futebol na TV) eram, aos domingos, ouvir música sertaneja de raiz com o Seu Aristides, um vizinho quase centenário; e a coordenação técnica do Araguari Futebol Clube, expoente do futebol amador do bairro onde vivi minha infância (Jardim Ismênia – todas as ruas com nomes de cidades mineiras).

Quando estava de bom humor sem beber (o que era raro), ele vestia um baby doll da minha mãe, colocava a cueca na cabeça e ia pra sala cantar aquela música da Tetê Espíndola (“meu amor, nosso amor estava escrito nas estrelas...”). Detalhe: além de magrelo e bigodudo, ele tinha um vozeirão, então essa cena nos matava de rir. SEMPRE.

Ele era a cara do Seu Madruga. Aliás, não só cara. Cara e corpo. Quando bebia, virava um palhaço. Sóbrio, um ranzinza. No fundo, um deprimido.

Escolhi ser advogada anos depois da morte dele, e não fazia idéia de que o dia do advogado caísse nessa mesma fatídica data. Quero crer que o destino, de um jeito ou de outro, quis presentear meu pai. Ele ficaria muito orgulhoso de ter filha “doutora”.

Se o Seu Paulo soubesse a falta que faria, será que ele se cuidaria um pouquinho melhor? Será que tudo poderia ser diferente?

No fundo eu sei que ele está presente o tempo todo. Em cada jogo de futebol que assisto, em cada xingo que solto pra juiz, político ou whatever. Quando ouço música sertaneja das boas, quando ouço Chico Buarque ou Elis Regina, quando leio um jornal resmungando por causa da parcialidade das notícias...

Eu sou um dos quatro espelhos que seu Paulo deixou no mundo. E me orgulho PACARALEO disso. Que saudade...

"Eliane, você precisa ser forte".

Essa frase da minha mãe, na manhã de 11/08/1996, me fez crescer dez anos em dez minutos. Estava Dona Cida no portão de casa segurando um saquinho com os pertences do meu pai. Ele não usava carteira, então veio tudo naquele saquinho. Naquele momento tudo o que eu conhecia por vida, virava de ponta-cabeça.

Cresci, virei "pai" aos 19 anos de idade, e hoje, aos 34, sou uma criança nas reações, nas relações, em quase tudo.

E, desde então, a única coisa que eu consigo repetir é: que falta você faz, meu velho. MUITA. De doer mesmo.

Semanas após o falecimento do veio, as frases de apoio continuavam as mesmas: “só o tempo cura”, “a dor agora é forte, mas vai passar”.

Pois bem, hoje faz QUINZE anos que não posso dar um abraço no meu pai e nem dizer pra ele o quanto ele faz falta.

E amigos, a dor não passa, ela apenas muda de formato. Até a intensidade é a mesma.

Pai, te amo e lembro de você todo santo dia da minha vida, de um jeito ou de outro. O senhor tá ligado. Seu time está abafando, e se tudo der certo, vou vê-lo campeão mundial de novo e lembrar do senhor mais uma vez (como acontece em todo jogo do Santos).

Muita, mas muita saudade.
Sua filha mais velha.
11/08/2011